sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ultrapessoal.



Eu cavuquei, escavei lembranças e esperanças perdidas.
Não é que eu ainda esperasse por alguma coisa, mas por isso eu realmente não esperava.

Não é errado. Quando se está feliz, a gente meio que perde a noção, vai de impulso; fala demais.

Sim, eu agora caí na real. Descobri que há muito tempo não tinha o mesmo sentimento.
Acabou. Você foi e eu fiquei.
Talvez com saudades, mas igualmente com frieza.

Eu endureci. De você, me desliguei.
Quissá eu tenha crescido, apesar de não me importar mais com isso.

Apenas uma menina num corpo de mulher. Palavras suas, repetidas como uma negação do que sentira ou fez.

Mas tudo não era o que a gente precisava.
Quem sabe fosse melhor eu ainda não saber de nada.
Quem sabe fosse melhor continuarmos estranhos um pro outro.

Cartas na mesa, fizemos nossas escolhas.
Escolhas demoradas; escolhas, finalmente, acertadas.

Agora eu me vou, junto com o apagado pelo tempo.
E me abro de novo. Pra tudo.

Menos pra você.

Por Thaís Cristina.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Keep my secret closed. You'll never know.


Por muito tempo evitei te olhar fixamente nos olhos.
Era estranho, te enxergar meio assim, de lado. Como se meus olhos desconhecessem os teus.

Engraçado pensar que algum dia fomos tão próximos.
Não como melhores amigos, nem amigos, eu diria. Mas sabíamos muito, e era recíproco.

Tanta coisa aconteceu... o tempo é traiçoeiro; me armou peças que nunca imaginaria.
Mas nos afastamos e é inegável. Como, ou melhor, por que deixamos isso acontecer?

Dói saber que não me vê da mesma forma.
Dói perceber que não te conheço mais.
Não sei nada da sua vida e você, sobre mim, também não fez questão de saber.

Mas de alguma forma eu cresci e você colheu seu futuro. Sobrevivemos afinal, quem diria?

Talvez nunca fomos conhecidos algum dia. Talvez nunca sejamos. Mas somos fortes, ao menos nos encaramos hoje, não é? E sorrimos. Que progresso!

Pelo menos pudemos dizer 'boa sorte, passar bem' e seguir viagem. E é assim a vida.

Mas disso, a verdade. Ah... isso você nunca saberá.
Então, até breve.

Por Thaís Cristina.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Let's change this a little bit.




- Talvez ela acorde e perceba que tudo não passou de um erro.
Era o que diziam enquanto o corpo continuava ali, estirado ao chão. Era insensato dizer que a menina estava inconsciente. Ela respirava, o ritmo constantemente acelerado. Os olhos cemicerrados, como que espreitando algo ao longe. Porém a boca muda, calada.

Aquela expressão fria e a sensação gélida de sua pele fazia com que todos os que passavam prendessem a respiração, esperando que ninguém notasse o medo e o suor percorrendo suas testas. De fato, não percebiam.

Ela estava ali, vitrine. Objeto admirado com cautela.
Nenhum se atrevia a tocá-la. Tinham receio de piorar a situação.

Presa a algo invisível aos seus olhos, a menina voltou-se para os olhares de espanto.
O que estava acontecendo com ela? Ou com as pessoas?
Temia que a própria fosse motivo de tamanha confusão.

Suas mãos brancas; pálidos aconchegos de abraços indesejáveis.

Engraçado, ao seu ver não estava deitada, tampouco cega. Talvez parda e invernal.
Mas não morta.

Tinha um pensamento fora de si. O seu 'comum' não era mais o ponto de equilíbrio.
Não era mais a mesma, mas talvez nada estivesse errado.
Era difícil saber...

Mas sabe de uma coisa? Ela até que gostava dessa situação.
Mudança!


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Recadinho pra você, querida!

Olho nos seus olhos e tudo o que vejo refletido são mentiras e muitas delas.
Engraçado como não consegue me encarar, não é mesmo?
Nem um sorriso, é isso?
Achei que não fosse do tipo que se importasse com os sentimentos dos outros.
Parece que você se importa... até demais.
Eu já deveria esperar por isso, não é?
Deixei tudo fácil pra você; portas abertas.
A parte ruim disso é que eu também me importo.
Pela primeira vez tive uma resposta e, sinceramente, não gostei.
Mas é a vida, não é mesmo? Era de se imaginar.
Logo, logo eu estarei no topo de novo.
Sem você, sem ninguém... acompanhada talvez. De alguém que mereça.
Quer dizer, você nunca me acompanhou, mas conheço alguém - e você também - que o fez.
E muito bem, diga-se de passagem, muito bem até a verdade vir à tona.
Foi bom, foi sim, não vou mentir. Mas passou, tudo passa.
Agora só peço um favorzinho darling: vá se ferrar e me deixe em paz!

 

Por Thaís Cristina.
 

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